Antes que apague — Natalia Timerman (Companhia das Letras)
Arrebatada é como me sinto após a leitura.
O romance visceral expõe a relação entre uma filha e sua mãe diagnosticada com Alzheimer. Acompanhamos o luto antecipado pelo apagamento acelerado da identidade dessa mãe. Com sensibilidade, a autora revela o passado familiar e expõe o dilema e os limites éticos de narrar a vida de quem já não pode lembrar ou falar por si mesma.
Empenhada em buscar memórias e fatos, a protagonista constrói pontes com pessoas com quem não convivia ou que nem conhecia. Elas vão trazendo peças de um quebra-cabeça que ela tenta montar — mas que nem sempre se completa, revelando os diferentes sentimentos e percepções de cada envolvido.
É provável que você conheça ou tenha na família alguém que já dependa de outro para suas atividades básicas, que já não se reconhece e que vai se desfazendo aos poucos. Ler esta obra traz uma profunda identificação e reflexão.
Natalia escreve e descreve a finitude de alguém que vai desaparecendo e se tornando invisível para si mesma, de forma tão gradual quanto cruel — exatamente como pode ser enfrentar esse diagnóstico.
Deixe seu comentário