É sempre a hora da nossa morte amém. Mariana Salomão Carrara editora, todavia.
A autora- nascida em SP em 1986, é uma das vozes mais destacadas e aclamadas da literatura brasileira contemporânea. Formada em direito (USP), concilia a criação de literatura com a atuação profissional, como defensora pública.
Sua obra é marcada pelo mergulho em temas como- finitude, luto, morte, maternidade, amizade, questões sociais e dores do cotidiano.
Principais obras-
2019- Romance de estreia- se deus me chamar não vou-finalista do prêmio Jabuti de 2020-
2021- É sempre a hora da nossa morte amém. -Finalista do prêmio São Paulo de literatura dê 2022
2022- Não fossem as sílabas do sábado- ganhadora do prêmio São Paulo de literatura de 2023
2024—A árvore mais sozinha do mundo-Ganhadora do prêmio São Paulo de literatura de 2025
2026-Claudia Vera Feliz Natal, LANÇAMENTO
Sobre nossa leitura- É sempre hora da nossa morte amém.
Narrado em primeira pessoa, por um narrador nada confiável, Aurora uma mulher com 70 anos desmemoriada.
Aurora é encontrada com uma coleira vazia e chamando por Camila, como não consegue dizer seu endereço é levada a uma casa de idosos e Rosa, uma assistente social a companha seu fluxo de lapsos de memória, tentando construir uma história que possa encontrar algum caminho que leve a sua família ou alguém conhecido.
Mariana entrega frases poderosas no seu texto, que vão nos atravessando em temas como a envelhecimento, maternidade, relações mãe e filha, abandono paterno, esquecimento e finitude.
Escrever sobre memória, de alguém que a perdeu não pode aparecer de forma linear, pois memórias mesmo quando a temos, não aprecem numa linha de tempo sequencial. São flashs que vão construindo uma história.
As Protagonistas são personagens femininas , trazendo o masculino sempre em segundo plano.
Para Aurora, em suas memórias, ora Camila é sua filha, ora sua amiga,
Observamos o tempo todo a medo ou a certeza da morte muito presente em sua preocupação com perigos, como se ao nascer a morte já se mostra como uma opção eminente.
Sutilmente, Mariana consegue trazer questões sociais, como a ditadura brasileira, um marido que trabalha no IML, onde tem que dar andamento a cadáveres torturados, sem que o assunto seja tratado com profundidade entre eles e na narrativa.
Depois de ter lido todas as obras acima, difícil destacar a obra preferida.Conheçam!
Daisy Gouveia
14 de outubro de 2026
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